Gastronomia por Roberta Sudbrack
18/02/2008 ..
Patriotismo gastronômico
Mala pronta, finalmente! Quiabos a postos, facas também! Emoção nem se fale. Pensei em muitas maneiras possíveis para começar a minha aula na Espanha, no que dizer, em como conter a emoção e o nervosismo – seria pura hipocrisia não admitir: ele existe! –Detalhes de um momento que, eu e o quiabo esperamos, seja intenso e especial.
Das muitas opções escolhemos uma muito simples para apresentar a nossa culinária, e por isso mesmo profundamente conectada com a minha filosofia de trabalho. Um filme artesanal – e poderia ser diferente? - em P&B, de aproximadamente dois minutos, onde os grandes artistas são o quiabo e o jovem diretor. Duas jóias, tão sutis e delicadas quanto às sementes do quiabo, o nosso caviar nacional. Eu, nesse contexto, serei apenas uma peregrina – aproveitando que estarei bem no centro desse caminho! – e levarei os dois, em nome da nossa cultura, até o centro do universo da gastronomia atual.
Feliz e imbuída de uma missão que muito me honra e emociona. Como tudo o que fiz até agora na minha carreira, desde os tempos em que com profissionalismo e comprometimento - comigo mesma, meu oficio, minha equipe, minhas convicções e, acima de tudo, o meu país - aceitei reger os acordes da cozinha mais importante do Brasil e transformá-la em mais um instrumento da nossa diplomacia e dos interesses brasileiros. Com esse mesmo sentimento embarco hoje rumo ao Fórum Gastronômico da Espanha, convicta de que o papel da gastronomia numa cultura não é somente o de enfeitar a mesa, mas acima de tudo, o de expressar o sentimento de toda uma nação através de melodia da sua comida. Por isso mesmo, os seus artesãos, estejam eles pelas cozinhas caseiras ou profissionais desse país, devem ser tratados com respeito e a distinção cabível aos artistas, os músicos, os pintores, os arquitetos, já que com eles formam o pilar dessa cultura.
Nos meus sonhos, o nosso quiabo será aplaudido de pé pelo mundo gastronômico, elevado imediatamente ao grau máximo de iguaria - lado a lado com as trufas de Alba, os Belugas e os diamantes de sal! – e a nossa aula, se depender de mim, terminará na voz de João Gilberto cantando um clássico de Ary Barroso, “Sandálias de Prata”.
“Isto aqui ô ô
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
Deste Brasil que canta e é feliz
Feliz, feliz
É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça ai, ai
E não se entrega não
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Morena boa que me faz penar
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar
Morena boa que me faz penar
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar.”
Até!
Enquanto estiver fora, para mantê-los informados, enviarei diariamente uma frase que simbolize os sentimentos que estaremos vivendo por lá!
20/02/2008 ..
Em primeira mão
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